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No final de janeiro de 2026, a Capital One anunciou a aquisição da fintech brasileira Brex Inc. em um negócio avaliado em US$ 5,15 bilhões, em uma combinação de pagamento em dinheiro e ações. A transação, uma das maiores envolvendo uma fintech fundada por brasileiros, representa não apenas um marco financeiro, mas também uma vitória estratégica — e, sobretudo, de branding — para a empresa criada por Pedro Franceschi e Henrique Dubugras.
Mas o que exatamente no branding da Brex tornou essa aquisição possível e valiosa? O que fez uma fintech com menos de uma década de história atrair uma gigante tradicional como a Capital One?
Neste artigo, exploramos cinco fatores de marca que foram determinantes para esse desfecho — elementos que tocam diretamente percepção de mercado, reputação e posicionamento estratégico.
1. Construção de uma marca voltada para inovação e futuro dos serviços financeiros
Desde sua fundação, em 2017, a Brex buscou se posicionar como uma marca de vanguarda no universo financeiro. Não apenas como mais um fornecedor de cartões corporativos, mas como uma plataforma digital que reimagina os serviços financeiros para empresas modernas.
Esse posicionamento fica claro em três pilares:
a) Identidade de marca como tecnologia, não apenas como banco
A Brex não se definiu como uma instituição financeira tradicional. A empresa enfatizou sua capacidade de integrar cartões corporativos, gestão de despesas, soluções de pagamento e tecnologia em nuvem — um pacote que conversa diretamente com o DNA de startups e empresas de tecnologia.
b) Posicionamento como solução para empresas inovadoras
Ao criar uma proposta de valor clara para startups e scale-ups, a Brex construiu um ecossistema de clientes que falam a mesma linguagem da marca. Essa sintonia fez a empresa se tornar a “fintech das fintechs” — símbolo de agilidade e disrupção dentro do próprio setor.
c) Comunicação de marca alinhada à cultura empreendedora
Com mensagens como “desenvolvemos soluções para quem constrói o futuro”, a Brex fala diretamente com empreendedores e times de tecnologia. Essa coerência de discurso e tom de voz fortaleceu o vínculo com um público que valoriza autonomia e velocidade.
O resultado foi um posicionamento que transcendeu o produto. A Brex passou a representar um símbolo de inovação no sistema financeiro global — um ativo intangível, mas valioso, que certamente pesou na decisão de compra da Capital One.
2. Relacionamento com clientes como alicerce de reputação
Outro pilar essencial no branding da Brex foi o relacionamento genuíno com sua base de clientes. Desde o início, a empresa entendeu que a confiança seria seu principal diferencial competitivo.
Ao atender startups que frequentemente enfrentavam barreiras para acessar crédito e serviços bancários, a Brex criou uma reputação baseada em:
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Agilidade no atendimento e onboarding;
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Flexibilidade de soluções;
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Comunicação transparente;
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Ajustes rápidos a partir do feedback dos usuários.
Essa postura fez com que os próprios clientes se tornassem embaixadores da marca, gerando um efeito de recomendação orgânico — um dos elementos mais poderosos para fortalecer a percepção pública de uma empresa.
A reputação construída a partir da experiência do cliente foi fundamental para transformar a Brex em sinônimo de confiança, inovação e excelência operacional — pontos decisivos na avaliação de mercado e, consequentemente, no valuation bilionário da marca.
3. Branding de comunidade, presença digital e força de comunicação
A Brex investiu desde cedo em branding de comunidade e em uma estratégia de comunicação omnichannel. Isso significou muito mais do que manter perfis ativos nas redes sociais — envolveu construir autoridade e pertencimento em diferentes frentes.
a) Conteúdo educacional e liderança de pensamento
A Brex apostou em uma estratégia sólida de content marketing, com artigos, guias e relatórios sobre temas como gestão financeira de startups, controle de despesas e captação de investimentos.
Com isso, a empresa se posicionou como referência intelectual do setor, fortalecendo o reconhecimento da marca e atraindo não apenas clientes, mas também talentos e investidores.
b) Engajamento em eventos e ecossistemas de inovação
A marca se fez presente em eventos de tecnologia, fintechs e empreendedorismo, muitas vezes como patrocinadora ou palestrante. Essa aproximação direta com o público-alvo reforçou o posicionamento da Brex como uma marca que faz parte da comunidade empreendedora global.
c) Design, linguagem visual e consistência
O visual da Brex — limpo, moderno, centrado em UX e com estética minimalista — ajudou a comunicar inovação. Cada detalhe do site, app e materiais institucionais reforçava a mensagem: a Brex é diferente porque é digital até a alma.
3.1. O papel estratégico da assessoria de imprensa na consolidação da marca Brex
Nenhuma dessas estratégias teria o mesmo impacto sem um trabalho consistente de assessoria de imprensa e comunicação corporativa.
A Brex soube transformar seus feitos — rodadas de investimento, crescimento, aquisições e parcerias — em notícia. E essa exposição, construída de forma contínua, foi fundamental para consolidar o valor da marca.
a) Presença constante em grandes veículos internacionais
Desde suas primeiras rodadas de investimento, a Brex esteve presente em publicações como Forbes, TechCrunch, The Wall Street Journal e Bloomberg.
Cada menção reforçava a percepção de que se tratava de uma fintech inovadora e promissora, fundada por jovens brasileiros que estavam redefinindo o sistema financeiro americano.
Essa visibilidade criou lastro reputacional: a Brex passou a ser vista não apenas como uma startup bem-sucedida, mas como uma história de sucesso global.
b) Narrativa bem estruturada e alinhada ao posicionamento da marca
A assessoria de imprensa da Brex trabalhou com narrativas consistentes, que uniam inovação, diversidade e propósito.
Os porta-vozes, Henrique Dubugras e Pedro Franceschi, foram apresentados à mídia como símbolos da nova geração de empreendedores globais, o que gerou empatia e identificação com o público.
O resultado foi um branding pessoal e corporativo complementares — a imagem dos fundadores somou valor à marca institucional, criando um ciclo virtuoso de reputação.
c) Estratégia de PR como motor de credibilidade
Em um mercado altamente competitivo e saturado de novas fintechs, a assessoria de imprensa ajudou a Brex a se diferenciar com credibilidade.
Matérias espontâneas em veículos de prestígio são percebidas pelo público e investidores como prova social de confiança e solidez.
Na prática, o trabalho de PR transformou a Brex de uma startup promissora em uma marca reconhecida globalmente — um ativo intangível que certamente influenciou o interesse e o valuation na aquisição pela Capital One.
4. Liderança de marca com propósito e narrativa inspiradora
Outro ponto central foi a liderança de propósito.
Desde o início, a Brex deixou claro que não queria ser “mais um banco digital”, mas sim uma empresa que capacita negócios a crescerem sem barreiras.
Sua narrativa combinava:
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Agilidade: menos burocracia, mais soluções.
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Empreendedorismo: produtos que crescem junto com os clientes.
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Acesso e inclusão financeira: crédito acessível a empresas jovens.
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Cultura de melhoria contínua: tecnologia como base para evolução constante.
Essa coerência narrativa criou uma identidade emocional: a Brex ajuda quem quer construir o futuro.
Esse tipo de propósito é poderoso no branding moderno porque gera lealdade e diferenciação real, algo que nem sempre é replicável por concorrentes.
Mais do que clientes, a marca conquistou defensores e investidores alinhados a sua visão de mundo, o que ampliou sua relevância estratégica no mercado.
5. A marca Brex como símbolo de modernização para o sistema financeiro
Por fim, talvez o fator mais evidente: a Brex se consolidou como um símbolo de transformação para o setor financeiro tradicional.
Enquanto bancos convencionais ainda lutavam para digitalizar processos e adaptar-se à nova economia, a Brex oferecia um modelo de negócio data-driven, ágil e orientado à experiência do usuário.
Essa imagem — amplamente reforçada por branding, mídia e marketing de conteúdo — tornou a empresa uma opção irresistível para players tradicionais que desejavam acelerar sua transformação digital.
A aquisição pela Capital One é a prova disso: não se tratou apenas da compra de tecnologia, mas da compra de uma marca que representa o futuro.
O valor invisível que constrói aquisições bilionárias
O caso da Brex demonstra que branding é um ativo estratégico, não um acessório.
Ele influencia diretamente valuation, atratividade para investidores e, como vimos, decisões de aquisição.
O papel da comunicação — especialmente da assessoria de imprensa — é o de dar visibilidade, consistência e credibilidade a essa construção.
Em um mundo onde informação circula em tempo real e reputação é o principal indicador de confiança, empresas que constroem uma presença sólida na mídia ganham não apenas notoriedade, mas valor real de mercado.
Conclusão
O sucesso da Brex e sua aquisição por US$ 5,15 bilhões são a prova de que o branding é o motor invisível do crescimento.
Os cinco fatores que impulsionaram essa trajetória — inovação, relacionamento, comunidade, propósito e credibilidade — mostram que construir uma marca forte é um investimento estratégico, não um custo de marketing.
E, dentro desse processo, a assessoria de imprensa desempenhou um papel essencial: transformar marcos empresariais em histórias que inspiram, traduzir resultados em reputação e garantir que a marca Brex fosse reconhecida mundialmente como sinônimo de disrupção financeira.
Para empresas brasileiras que desejam seguir esse caminho, o aprendizado é claro:
branding consistente, aliado à comunicação estratégica, é o que transforma negócios em marcas bilionárias.